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TERRA A TERRA
BIOGRAFIA
Formados em 1977, os Terra a Terra (1) pertencem à galeria dos
diferentes grupos que se dedicaram ou dedicam à estilização heterodoxa da música
portuguesa de tradição oral.
A formação inicial do grupo Terra a Terra incluía Mário Piçarra
(filho do cantor Luís Piçarra), Ana Faria, Jaime Ferreira, Rosário Pires,
Jorge Vieira, Eduardo Torres, Mário Luís Pontes e Luísa Vasconcelos.
O instrumental do grupo era constituído por viola, braguesa,
cavaquinho, castanholas, ferrinhos, harmónica, caixa, gaita de foles, adufe e
flauta.
Esta formação grava o LP "Dançando e Pulirando",
o qual inclui temas de diversas origens geográficas (Alentejo, Beira Baixa, Trás-os-Montes, etc), sendo as recolhas feitas pelo grupo e por diversas pessoas, entre as quais
será de destacar as feitas no Alentejo por Heduíno Gomes (marido de Ana Faria).
Este disco contém temas como "Pingacho", "Não
Se Me Dá Que Vindimem" ou "Diabos Levem Os Ratos". Embora seja
um disco importante não deixa de ter algumas deficiências, se comparado com
trabalhos de outros grupos como a Brigada Victor Jara ou os Vai de Roda.
O segundo trabalho do grupo, editado em 1981 é já mais
maduro. A formação sofre alterações com a entrada de novos elementos (são,
agora, 17 elementos), entre os quais Artur Pereira que é natural do Distrito da
Guarda, mais propriamente de Soito (Sabugal). Como convidado, tocando guitarra,
participa Silvestre Fonseca, natural de Famalicão de Serra.
Intitulado "Pelo Toque da Viola", o trabalho
apresenta canções de quase todo o país, recriadas pelo grupo. Nele figuram
"Pelo Toque da Viola", "Chula Rabela", "Tirana Ateia"
ou "O Rapaz do Casaquito".
O grupo estava a evoluir e a deixar para trás algumas das
limitações que se notavam no seu primeiro trabalho.
Após serem desfeitos uma série de "equívocos", no
dizer de Jaime Ferreira; a banda afasta-se de alguma ingenuidade inicial e
declara não ser um grupo de recolha, mas sim um grupo que usa a música já
recolhida para fazer o que a sua sensibilidade pede.
O grupo parte de recolhas de César Neves e Gualdino Campos,
para além de Fernando Lopes-Graça, Michel Giacometti e Margot Dias e lança o
LP "Estilhaços", em 1983.
Neste disco podem encontrar-se verdadeiras pérolas da música
tradicional, como "Fui-te Ver, 'stavas labando", "Festas de Campo
Maior", "Corridinho" ou o tema "Vitral" da autoria de Mário
Piçarra. Desde a capa, até ao conteúdo, os Terra a Terra começavam a
pertencer à vanguarda dos grupos que se dedicavam à recriação, com
qualidade, da música de tradição oral. (2)
Um último trabalho com o título "Lá Vai Jeremias"
seria ainda editado, mas o grupo já não teria continuidade e com o seu fim
perdeu-se bastante na música portuguesa.
Os dois primeiros discos encontram-se reeditados em CD, bem
como uma colectânea pertencente à série "O Melhor dos Melhores" é
dedicada aos Terra a Terra. Em 2005 foram editados em CD os dois últimos álbuns
de originais do grupo. (3)
ARISTIDES DUARTE / NOVA GUARDA
(1) O grupo começou por se chamar
"Terra Sem Anos".
(2) "álbum já sem o excesso de voluntarismo
amador e a ingenuidade musical característicos da música tradicional de finais
de 70 e inícios de 80. Embora tudo pareça ainda funcionar segundo a militância
generosa que transportava para a música o ideário político que marcava a época e
o meio - bastará reparar na ficha comunitária de cada tema, onde se indicam
apenas os instrumentos utilizados e não os créditos de cada instrumentista -, o
profissionalismo é já audível." José Pedro Oliveira / DN
(3) O grupo terminou em 1985. No total passaram 17 músicos pelo grupo.
DISCOGRAFIA
Dançando e Pulirando (LP, Polygram, 1980)
Pelo Toque da Viola (LP, RT, 1981)
Estilhaços (LP, RT, 1983)
Lá Vai Jeremias (LP, RT, 1985)
COMPILAÇÕES SE
O Melhor dos Melhores nº 83 (Compilação, Movieplay, 1998)
Clássicos da Renascença nº 83 (Compilação, Movieplay, 2000)
NO RASTO DE ...
Ana Faria lançou vários discos da
série "Brincando aos Clássicos". Colaborou nos trabalhos
dos Queijinhos Frescos, Onda Choc, Popeline e Jovens Cantores de Lisboa. Mais
recentemente dedicou-se à pintura e editou dois livros para crianças:
"Sapatilhas de Cetim" e "Histórias Em Versos Com Música e Dança".
Heduíno Gomes é
conhecido por ter sido o secretário-geral do PCP (M-L) nos anos de brasa da
Revolução e ser hoje militante do PSD. (AD/NG)
Silvestre Fonseca tem vários discos editados.
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