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ROMANÇAS
BIOGRAFIA
Oriundos de Sintra, os Romanças foram um dos grupos mais
importantes do movimento Folk português, ao lado de outros como os Vai de Roda
ou a Brigada Victor Jara.
O grupo formou-se em 1986 e era constituído por Pedro D'Orey (Guitarra),
Fernando Pereira (Braguesa e Voz), José Barros (Cavaquinho, Braguesa, Bandolim
e Voz) e João Ramos (Violino e Flauta), todos músicos com larga experiência
em outros projectos ligados à música tradicional e não só.
Em 1988 publicam o seu primeiro disco intitulado "Romanças",
que tem como tema mais conhecido "Salsa Verde". Este trabalho denota já,no
grupo, uma tentativa de fugir a um certo convencionalismo instalado em outros
grupos do género. Não é um grupo que se limita a recriar a música
tradicional, mas avança para composições próprias; embora influenciados
pela música tradicional (mas, também, com o assumir de várias influências da
Folk europeia, sobretudo irlandesa).
Em 1991 lançam o seu segundo trabalho de longa duração com
o título "Monte da Lua". Neste disco é já mais visível o esforço
dos Romanças em sair do espartilho a que alguns grupos desta área se sujeitam.
Em "Monte da Lua" estão temas como "Salsaparilha",
"Trigueirinha", "Monte da Lua", "Xula" e vários
tradicionais como "Homem Rico", "Saias de S.João" e "D.Varão".
A banda faz vários espectáculos por Portugal e,
inclusivamente tournées pela França e pela Irlanda, tocando com alguns dos
grandes nomes da cena Folk europeia, apesar de os seus elementos nunca se terem
profissionalizado, verdadeiramente, na música, com excepção de Barros.
Por divergências internas José Barros abandona a banda e vai
para uma das formações da Ronda dos Quatro Caminhos, ao mesmo tempo que João
Ramos começa a acompanhar os Quadrilha em espectáculos ao vivo, banda da qual
será, depois, membro efectivo.
Quase dados como extintos, os Romanças lançarão, ainda um
terceiro álbum intitulado "Azuldesejo" em que colaboram José
Salgueiro (ex-Trovante), Fernando Molina, João Luís Lobo e José Carias.
Para além de alguns tradicionais como "Mineta" ou
"Janeiradas" e uma super-versão de "Vindimas", há um
instrumental de "Mulher da Erva" de José Afonso, e temas dos membros
da banda como "Fim do Dia", "As Vozes do Mundo" e "Soredemo",
com o refrão cantado em japonês por um coro de que faz parte Hiroshi Umezaki.
O grupo evoluiu e passou a incorporar a "World Music" no seu repertório.
Mas, o fim da banda estaria para breve. Fernando Pereira fica
como gerente da "Taberna dos Trovadores", em Sintra e, junto com
Salgueiro, Ramos e D'Orey ainda gravará um disco sob o nome Real Companhia. José
Barros forma, entretanto, os Navegante, que num registo mais leve e ligeiro vão
levando a música tradicional e Folk por esse país. João Ramos sai da
Quadrilha, mas toca, ocasionalmente; com esta banda em espectáculos especiais.
Não se pode dizer que a música dos Romanças fosse uma música
popularizada, mas era uma música bem popular.
O fim dos Romanças foi um duro golpe nos apreciadores de música
portuguesa de elevada qualidade, mas, como diz o outro... é a vida!
ARISTIDES DUARTE / NOVA GUARDA
DISCOGRAFIA
Romanças (LP, Discossete, 1988)
Monte da Lua (LP, Ovação, 1991)
AZULdesEJO (CD, Luminária, 1994)
NO RASTO DE ...
José Barros formou os Navegante. Posteriormente
mudaram de nome para Jose Barros & Navegante.
Fernando Pereira, José Salgueiro, Ramos e D'Orey
gravam em 1995 sob o nome Real Companhia. Gravaram ainda os discos
"Orgulhosamente Sós" e "Pé Ante Pé". Pedro D'Orey já
não faz parte do projecto.
João Ramos foi o autor das ilustrações do
disco "Pé Ante Pé" (2003).
Fernando Pereira continua a ser o proprietário
da Taberna dos Trovadores, em Sintra.
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