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MLER IFE DADA
Etno-Rock-Electro-Jazz-Pop com um pouco de
Avant-Garde
BIOGRAFIA
Um dos projectos mais originais
da nova música portuguesa, na sua vertente Pop/Rock teve origem em Cascais, em
1984, onde se formam os Mler Ife Dada .
Inicialmente o grupo era
formado por Nuno Rebelo (ex-Street Kids), Augusto França, Pedro D'Orey e Kim.
Com este line-up, a banda edita
o seu primeiro trabalho discográfico, um máxi-single intitulado "Zimpó".(1)
Este tema era cantado em português, sendo que os restantes ("Stretch my Face"
e "Spring
Swing") eram cantados em inglês.
Neste primeiro trabalho as
vozes estavam a cargo de Pedro D'Orey, que abandonará o grupo pouco depois para
ceder o seu lugar a Anabela Duarte, uma figura carismática, com voz fadista e
que tinha pertencido a outros projectos inovadores, como os Ocaso Épico e Bye
Bye Lolita Girl.
Anabela já tinha participado
no tema "Apartheid Hotel" dos GNR, onde fazia um dueto com Rui
Reininho.
A banda, já com a nova formação(2),
grava um single que inclui "L'amour Va Bien, Merci" e "Ele e Ela...
e Eu", este último uma versão do tema que Madalena Iglésias cantou no
Festival RTP, nos anos 60. (3)
O jornal BLITZ considera a
banda como a grande revelação dos últimos tempos da música moderna
portuguesa e convida-a para abrilhantar a festa do 2.º aniversário do hebdomadário,
no Rock Rendez- Vous, onde esgotam a lotação. (4)
Em 1987 editam o seu primeiro
longa duração "Coisas que Fascinam", onde se condensam todos os
estilos que o grupo pratica (desde o experimentalismo às coladeras cabo
verdianas, no tema "Siô Djuzé", este com a colaboração de Rui
Reininho). O tema "Alfama" é a aproximação ao universo fadista tão
caro a Anabela Duarte. Este disco é considerado pelo jornal "Público"
como um dos melhores de sempre da música feita em Portugal, distinção que só
prova a criatividade do grupo.
A vocalista da banda gravará,
no ano seguinte um disco de fado intitulado "Lisbunah" que mostra a
cantora em todo o seu esplendor fadista.
Em 1989, os Mler If Dada gravam
o seu segundo LP "Espírito Invisível" que, embora aclamado pela crítica,
não tem grande aceitação nas rádios. Apenas a faixa "Walkman Man"
obtém algum sucesso.(5)
Com a fraca aceitação pelo público
deste segundo trabalho, os convites para espectáculos começam a rarear e
Anabela abandona o grupo, sendo substituída por Sofia Amendoeira que não tem o
carisma e as virtudes de "performer" de Anabela. Com este line-up, a
banda ainda edita um EP(6), mas dissolve-se definitivamente; pouco tempo depois.
Os dois LP's do grupo foram
reeditados na colecção Coração Português da Polygram,
com as capas originais e o próprio CD fazendo lembrar um velho disco de vinil.
Em 2003 a Universal edita a
compilação "Pequena Fábula" que inclui novas versões de
"Zuvi Zeva Novi" e de "L' Amour Va Bien Merci".(7)
ARISTIDES DUARTE / NOVA GUARDA
(1) Em Junho de 1984, os Mler
Ife Dada venceram o primeiro concurso de música moderna do Rock Rendez Vous e
como prémio gravaram o EP "Mler Ife Dada" cujo tema principal era
"Zimpó".
(2) Pedro d'Orey abandona o
grupo e é substituído por Filipe Meireles. Filipe Meireles é chamado a
cumprir o SMO (Serviço Militar Obrigatório) e Kim abandona o grupo (voltaria
ao grupo, apenas para alguns concertos, em 1988). Entram
para o grupo a cantora Anabela
Duarte [«passei-me para a oposição, a convite do Nuno Rebelo que me tinha
visto a cantar com os GNR na Aula Magna.» AD/APS] e os irmãos Zezé e Nini
Garcia (ex-Urb).
(3) "L'Amour va bien,
Merci" aparecia também na colectânea "Divergências" da Ama
Romanta. «Esse single é uma pérola. Uma mina de ouro, na melhor das hipóteses...
Adorei cantar, adorei o estúdio de oito pistas, adorei a capa. Adorava os músicos
e diverti-me imenso a ver pelo vidro do estúdio a cara de prazer e de gozo do
João Peste, enquanto eu ia inventando o meu discurso em francês
transcendental, falando na devida desproporção entre emoção e sexo e cães a
ladrar e política liberal e de como o chá faz mal à garganta e outras coisas
importantíssimas!... Adorava ainda que fosse reeditado, mas ninguém me liga
nenhuma.» AD/ APS
(4) O saxofonista José Pedro
Lorena entra para a banda.
(5) «Acho que ["Espírito Invisível"] é um disco genial, talvez mais de
autor – do Nuno Rebelo – porque nessa altura, realmente, as coisas já não
estavam muito bem... Mas eu também comecei a experimentar coisas diferentes com
a voz e as letras. Tem momentos e canções muito boas. Era, no entanto, um
disco difícil, em termos de música pop, e o público, por vezes, gosta que lhe
sirvam sempre o mesmo prato.» AD/APS A formação que gravou o disco incluía Bruno Pedroso (bateria)
e José António Aguiar (baixo), e Rebelo passou para a guitarra.
(6) O máxi-single "Mler Ife
Dada", editado em 1990, inclui a regravação de 4 temas do LP "Espirito Invisivel"
("Choro do vento e das nuvens", "Erro de
Cálculo", "Walkman Music" e
"À Chuva") interpretados por Sofia Amendoeira, cantora que foi aconselhada
ao grupo pela primeira professora de canto de Anabela Duarte.
(7) «(a editora) perguntou-nos se não havia
alguma coisa por editar». Não havia. Mas Nuno Rebelo lembrou-se de uma versão
instrumental de "L'Amour Va Bien, Merci", que tinha feito em 1995 para um
bailado, e propôs a tal «versão "unplugged"» de "Zuvi Zeva
Novi". «Foi só tempo de marcar estúdio e dias depois estávamos a gravar»,
conta. in Culto!
DISCOGRAFIA
Coisas Que Fascinam (LP, Polygram, 1987)
Espírito Invisível (LP, Polygram, 1989)
Pequena Fábula 1984-1989 (+2003) (Compilação, Universal, 2003)
SINGLES
Zimpó (Máxi, Dansa do Som, 1985)
L'Amour Va Bien, Merci/Ele e Ela e Eu (Single, Ama Romanta, 1986)
Zuvi Zeva Dada [Zuvi Zeva Novi/Sinto Em Mim](Single, Polygram, 1987)
Coração Anti-Bomba/Outro Dia (Single, Polygram, 1988)
Coração Anti-Bomba/Dance Music (Máxi, Polygram, 1989)
Mler Ife Dada (EP, Polygram, 1990)
COMPILAÇÕES SE
O Melhor de 2 - Mler Ife Dada/Radar
Kadafi (Compilação, Universal, 2001)
Colectâneas
Divergências (1986) -
L'Amour Va Bien, Merci
Ama Romanta... Sempre! (1999) -
L'Amour Va Bien, Merci
COMENTÁRIOS
“Zimpó” (maxi-single/1985) - É o nascimento
dos Mler Ife Dada… Por acaso foi esquecimento da minha parte,
porque mais tarde vim a pensar nisso… Havia uma música na altura,
da mesma altura do “Zimpó”, que se chamava “Nu ar” da qual
aparece o nome Mler Ife Dada. Faz parte das palavras que aparecem na
música e foi uma pena não termos incluído essa música na colectânea.
Mas “Zimpó” marca o nascimento do grupo, com o Pedro D’Orey,
que deu o nome ao grupo. É a altura do Concurso de Música Moderna
Portuguesa, no Rock Rendez-Vous, que ganhámos e foi esse o prémio.
“L’amour va bien merci” (single/1986) – É
o encontro com a Anabela, uma nova voz que chega ao grupo, e o
afirmar da independência que se materializava na existência da Ama
Romanta e a possibilidade que a editora oferecia a grupos fora do
“mainstream” de editarem.
“Coisas que fascinam” (LP/1987) – Foi o
primeiro trabalho de grande fôlego dos Mler Ife Dada e numa grande
editora. Foi, no fundo, o materializar do trabalho desenvolvido nos
anos anteriores e um manifesto relativamente àquilo que era o nosso
posicionamento na música naquela altura.
“Coração anti-bomba” (single/1988) – Foi
um disco entre discos. Foi uma altura em que, mais uma vez, os músicos
mudaram. Nesta fase o grupo estava reduzido a mim, à Anabela e ao
José Pedro Lourena. Tínhamos deixado de ter baterista e
guitarrista e o “Coração anti-bomba” foi uma espécie de
dizermos que os músicos abandonaram, mas o grupo continua a
existir. Estamos aqui, existimos e a prova disso é que ainda
fizemos este disco.
“Espírito invisível” (LP/1989) – É uma
espécie de aprofundar das pistas que tinham sido dadas com o
“Coisas que fascinam”. Neste apontávamos muitas direcções
musicais, no “Espírito invisível” tentámos ir mais longe por
cada um desses caminhos. Em vez de escolhermos um caminho para
seguir, tentámos ir um bocadinho mais longe por cada um desses
caminhos. Fomos ainda um bocadinho mais experimentais e um bocadinho
mais comerciais…
“Coração anti-bomba” (máxi-single/1989) –
É mais uma vez um disco extraído do álbum. É o máxi do “Dance
music”, supostamente o hit do “Espírito invisível”. No Lado
B recuperámos o “Coração anti-bomba”, porque achámos que na
altura não tinha tido a suficiente atenção por parte da rádio e
assim talvez pudesse voltar a passar.
“Mler Ife Dada” (EP/1990) – Com a Sofia
Amendoeira a cantar. Mais uma vez era um disco para dizermos que estávamos
vivos, o que de facto não aconteceu. No fundo, pegámos no
instrumental de quatro temas do “Espírito invisível” e fomos
para estúdio gravar a voz da nova vocalista, para dizermos que a
Anabela saiu do grupo, mas temos um disco com a nova voz do grupo. Não
aconteceu assim e pouco tempo depois o grupo acabou.
Nuno Rebelo / Primeiro de Janeiro (Se7e),
2003
«Eu não
gosto de ouvir [os Mler Ife Dada] muitas vezes. É raro ouvir, porque acho que está sempre
qualquer coisa mal. Na voz, então, acho que devia gravar tudo outra vez, salvo
raras excepções, porque já canto de modo completamente diferente e melhor.
Mas fiquei muito orgulhosa quando o reeditaram e soube que tinha praticamente
esgotado. Dei à luz uma cadelinha linda e baptizei-a de Zuvi.» AD/APS
NO RASTO DE...
Nuno Rebelo integrou e
dirigiu os grupos Mler ife Dada, Plopoplot Pot (vencedores do I Concurso da CM
Lisboa), Polyploc e As Guitarras
Portuguesas Mutantes. Desde 1988 que tem composto música para filmes, teatro, dança.
Neste âmbito trabalhou com Edgar Pêra, José Nascimento, José Wallenstein,
Mark Tompkins, Paulo Ribeiro, João Fiadeiro e Aldara Bizarro, entre outros.
Compôs os temas oficiais da EXPO 98 e de Lisboa 94-Capital Europeia da Cultura,
bem como a música e sonoplastia do espectáculo "Oceanos e Utopias",
de François Confino e Philippe Genty (Pavilhão da Utopia na Expo 98). Tocou em
diversos países em concertos de improvisação com músicos como Marco Franco,
Shelley Hirsch, Kato Hideki, Joan Saura, Xavier Maristany, Hiroshi Kobayashi,
Gregg Moore, Carlos Bica, Graham Haynes, Jean-Marc Montera, Acácio Salero, Américo
Rodrigues, Albrecht Loops, Telectu, Paulo Curado, Sei Miguel. Tem participado em
espectáculos de improvisação com os bailarinos Mark Tompkins, Vera Mantero,
Frans Poelstra, Steve Paxton, Lisa Nelson, David Zambrano, Boris Charmatz,
Julyen Hamilton, João Fiadeiro, Silvia Real, Howard Sonenklar, Cosmin
Manolescu, etc.
Zezé Garcia esteve nos GNR.
Actualmente trabalha em arquitectura e é professor de guitarra. Nini Garcia esteve nos Heróis do Mar
e LX90.
José Pedro Lorena é engenheiro da
construção naval e programador informático.
Pedro d'Orey foi para o Brasil
onde fez parte dos Metrô. No regresso a Portugal trabalhou com Nuno Rebelo na
banda sonora de uma peça da coreógrafa Aldara Bizarro, trabalhou com o músico
Marco Franco em duas apresentações no Monumental aquando do ciclo sobre
"Os Mistérios de Lisboa", fez parte dos Cães de Crómio e andou algum tempo com
o projecto Amar UQ Amar UQ?. Em 2002 lançou um disco com o projecto Wordsong.
Filipe Meireles esteve nos
Portugueses Suaves [Grupo de Filipe Meireles, Fernando Nabais (mais
tarde no projecto Homem Invisivel), António José Martins (baixo),
Rrrrroberto (bateria) e António Manuel (Teclas)] que esteve para ser
contratado pela Polygram. Actualmente trabalha em artes gráficas.
Kim trabalha com microfones e
instrumentos musicais.
Bruno Pedroso tinha tocado
anteriormente com os Heróis do Mar. O seu envolvimento com o Jazz
começa com Pedro Mestre, Nanã Sousa Dias, Sexteto de Tomás
Pimentel e outros nomes do Jazz. Fez parte dos grupos Plot Po Plot
Pot e Idefix.
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