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GRUPO DE BAILE
BIOGRAFIA
A vida corria bem para o Grupo
de Baile naquele ano de 1981. Já não eram apenas o grupo de amigos que se
conheciam desde a infância (1), dos tempos em que tocavam na filarmónica da
terra, nem sequer aquela banda que corria pelo circuito dos bailes com umas
rocalhadas importadas do estrangeiro. As 99 mil cópias do single
"Patchouly/Já Rockas à Toa", lançadas em Janeiro no mercado, foram
consumidas vorazmente. As que traziam o "piiiiii" sobre a palavra
"pentelho" e as em que se ouvia tudo. O Grupo de Baile fez disco de
ouro em apenas um mês. Foi tiro e queda. Primeiro o tiro, depois a queda.
Quase dois anos depois, mesmo
tendo gravado um novo single, "Estória Linda", o Grupo de Baile não
voltou a ter o mesmo sucesso (2). Volatizaram-se. Viveram a mesma história que
muitas outras bandas nascidas durante o "boom" do rock português, na
euforia daqueles anos de 1980 a 1982, em que o panorama musical explodiu de uma
tal forma que só podia mesmo vir depois a implodir.
Alguns anos antes e nunca se
poderia ter gravado em Portugal uma música como o 'Patchouly'", explica o
ex-vocalista do Grupo de Baile, Carlos Tavares.
"O 'boom' foi também
muito incentivado pelas editoras, porque isso lhes dava uma maior escolha sobre
aquilo que decidiam gravar ou não. Quantas mais houvesse, mais havia por onde
escolher", afirma Carlos Tavares. Esta ideia é corroborada pelo
guitarrista, Vicente. "Em Portugal as coisas funcionam assim: alguém
experimenta uma coisa com sucesso e, de repente, parece que se descobriu a pólvora.
Foi assim com o 'boom'. Apareceu o Rui Veloso com o 'Chico Fininho' e de repente
percebeu-se que era possível fazer rock em português".
Toda a gente andava a querer e
a conseguir gravar, e o Grupo de Baile recebeu o bilhete que os transportaria
para o sucesso. "Embarcámos naquilo sem qualquer pretensiosismo, mas com a
intenção de ir ver no que é que dava", esclarece o baterista, Luís
Rosado. A Valentim de Carvalho convidou-os a gravar alguns dos temas originais
que já tinham composto. "Tivemos hipóteses de impôr logo ali as nossas
regras, mas não o fizemos", recorda Carlos Tavares. "Já éramos
adultos nessa altura, mas nas coisas da música éramos mesmo uns miúdos"
desabafa Luís Rosado.
Quando o quiseram fazer, pouco
mais de um ano depois, perceberam que não podiam. Não eram essas as regras do
jogo. "A certa altura quisemos deixar de ser os tais meninos e impôr as
nossas escolhas à editora. Dissemos quais as canções que queríamos pôr num
LP e quais é que queríamos que fossem lançadas em singles e a resposta foi um
peremptório não. 'Nós é que sabemos disto, vocês editam aquilo que nós vos
dissermos', foi a resposta", recorda Carlos Tavares. "Aquilo era
espremer o limão até dar. Fomos chupados até ao tutano", reitera
Vicente, defendendo que o Grupo de Baile teria tido, eventualmente, maior
longevidade "se tivesse sido lançado um bocadinho mais por baixo e lhe
tivesse sido dado tempo e estruturas de produção para crescer".
DULCE FURTADO / PÚBLICA, 14/11/1999
(1) A maior parte dos músicos
tocavam desde miúdos na Sociedade Filarmónica União Seixelense. O grupo foi
descoberto por Ricardo Camacho. Antes da edição do single de estreia já
tinham tocado, intensamente, em bailes e festas pelo país fora.
(2) Ainda tentaram lançar o
single "Vocalista Rock" mas que foi rejeitado pela editora.
(3) Em 1999 aceitaram o convite
para o Seixal Rock 99 que se realizou no Seixal, no Largo 1º de Maio, entre os
dias 6 e 9 de Outubro. Uma experiência agradável para o guitarrista Vicente
Andrade, que confessou nessa altura ao jornal "Setúbal na Rede" ter
em vista uma reunião com a banda, no sentido de equacionar a possibilidade de
regresso do Grupo de Baile às luzes da ribalta.
FORMAÇÃO
Carlos Manuel Tavares ( voz)
Vicente Andrade (guitarra)
Luís Rosado (bateria)
António Manuel (baixo)
Luís Landeirote(orgão)
Marcelino (saxofone alto)
João Mário (saxofone tenor)
Zé Manel (trompete)
DISCOGRAFIA
Patchouly/Já Rockas à Toa
(Single, Valentim de Carvalho, 1981)
Estória Linda/Conversa de Comadres (Single, Valentim de Carvalho, 1982)
NO RASTO DE...
Vicente Andrade continuou como músico
da Orquestra Ligeira do Exército. Trabalha como músico de estúdio
e em programas de televisão. Mais recentemente trabalhou com Lara
Afonso e Marco Paulo.
António Manuel e Zé Manel são
músicos da Banda da Guarda Nacional Republicana.
Luís Rosado é funcionário da
Divisão de Acção Cultural da C.M. Seixal e Carlos Manuel Tavares
é responsável pelo departamento de electricidade da C.M. Seixal.
Luís Landeirote foi empresário de
equipamento de som e mais recentemente passou a entretainer de
cruzeiros turísticos, em Miami.
Marcelino está reformado da Marinha
Portuguesa.
João Mário é engenheiro mecânico da Lisnave e
professor universitário.
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